DESENVOLVENDO CULTURA DE SEGURANÇA POR MEIO DE OFICINA DE MELHORIA DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO

03 dezembro 2016
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Author :   Gilmar Roberto Tavares & Luciano Nadolny
Indexação LATINDEX | Citar ARTIGO: Tavares, G., Nadolny, L. 2016. Desenvolvendo cultura de segurança por meio de oficina de melhoria das condições de trabalho. Revista Segurança Comportamental, 10, 7-19. Gilmar Roberto Tavares & Luciano Nadolny | Serviço Social da Indústria do Paraná | gilmar.tavares@sesipr.org.br & luciano.nadolny@sesipr.org.br

Os perigos e os riscos são presentes no meio industrial e podem ser reduzidos, para que os acidentes sejam minimizados e eliminados no decorrer do tempo. O projeto de intervenção teve como objetivo capacitar uma equipe multidisciplinar da própria empresa para avaliar e encontrar soluções de transformação às situações com potencial risco de acidentes e/ou afastamentos do trabalho. Os participantes foram instigados a trabalhar em equipe, discutir suas visões e experiências para antecipar os riscos. A intervenção atingiu os resultados esperados, ressaltam-se a evolução dos níveis de conhecimento antes e depois do processo.

RESUMO
Os perigos e os riscos são presentes no meio industrial não podendo ser ignorados, mas, devem e podem ser reduzidos, para que os acidentes sejam minimizados e eliminados no decorrer do tempo. Baseado na ideia original de Buczek, Adad e Nadolny (2011), utilizando os conceitos de Bley (2014) e Kazutaka (2012), o projeto de intervenção teve como objetivo capacitar uma equipe multidisciplinar da própria empresa composta por profissionais do SESMT, Cipa, manutenção, operadores da produção, planejamento e controle da produção, para avaliar e encontrar soluções de transformação às situações com potencial risco de acidentes e/ou afastamentos do trabalho (identificação dos perigos). O projeto foi concebido para ter como eixos norteadores I) análise das condições de conformidade legal; II) desenvolver e aprimorar as competências; III) fomentar o trabalho em equipe e IV) realizar a devolutiva dos resultados de todo o processo para a empresa. Os participantes foram instigados a trabalhar em equipe, discutir suas visões e experiências para antecipar os riscos. A intervenção atingiu os resultados esperados, ocorrendo boa interação entre todos os participantes, independente do grau de escolaridade ou setor da empresa, as discussões permitiram o reconhecimento sobre os riscos e perigos nos locais de trabalho, visto que muitos possuíam pouco conhecimento sobre os conceitos apresentados. Ressalta-se a evolução dos níveis de conhecimento antes e depois do processo, relatado pelos participantes e evidenciada pela pesquisa de reação de treinamento.

INTRODUÇÃO E OBJETIVO
O projeto teve como objetivo geral oferecer às indústrias que apresentam elevado grau de risco de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais uma ferramenta para identificação e proposição de soluções, por meio da capacitação de equipe multidisciplinar de profissionais das empresas para que possam reconhecer e avaliar os riscos e perigos existentes no ambiente laboral.
Os objetivos específicos foram:
- Desenvolver e validar metodologia para análise das condições de saúde e segurança no ambiente laboral;
- Identificar, no âmbito das empresas, as principais fontes de riscos de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais;
- Reduzir a ocorrência de acidentes e doenças ocupacionais nas empresas que apresentam maior grau de riscos e perigos;
- Oferecer às empresas uma metodologia para identificação de riscos e perigos existentes no ambiente laboral;
- Capacitar uma equipe multidisciplinar – engenheiros e técnicos de segurança do trabalho, comissão interna de prevenção de acidentes, profissionais da área de manutenção, operadores e outros profissionais das próprias empresas atendidas com intuito de identificar os riscos e perigos, bem como propor soluções para melhoria;
- Conscientizar os trabalhadores envolvidos, visando ao aprimoramento da cultura de comportamento seguro nas empresas.
O projeto foi concebido para ter quatro eixos norteadores:
1) Análise das condições de conformidade legal;
2) Desenvolver e aprimorar as competências;
3) Fomentar o trabalho em equipe;
4) Devolutiva dos resultados para a empresa.

O projeto foi concebido para ter quatro eixos norteadores:
Análise das condições de conformidade legal.
Desenvolver e aprimorar as competências.
Fomentar o trabalho em equipe.
Devolutiva dos resultados para a empresa.

METODOLOGIA
O presente trabalho é fruto da experiência de intervenção aprovada no Edital Sesi Senai de Inovação de 2013. Essa iniciativa seleciona boas ideias oferecendo suporte e recursos para que, em parceria, Sesi, indústrias e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) sistematizem projetos inovadores. A meta é incentivar o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores na indústria nacional para o aumento da competitividade e produtividade, por meio da promoção da qualidade de vida do trabalhador.
Teve como objetivo geral oferecer às indústrias que apresentam elevado grau de risco de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais uma ferramenta para identificação e proposição de soluções, por meio da capacitação de equipe multidisciplinar de profissionais das empresas para que possam reconhecer e avaliar os riscos e perigos existentes no ambiente laboral.
O início se deu com uma visita à empresa parceira para conhecer o processo industrial, o fluxo de trabalho, as condições ambientais e realizar uma avaliação prévia dos postos de trabalho. Foram realizadas, também, entrevista com os funcionários, coleta e análise de documentos.
Em seguida foi aplicada um check list das principais Normas Regulamentadoras, com duzentos e treze (213) questões que contemplam as obrigações e os aspectos legais. O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho respondeu às perguntas e com isso obtém-se o “Índice Geral de Atendimento Legal”.
Foram realizadas quatro oficinas de capacitação, cada uma com duração aproximada de duas horas e trinta minutos na Associação dos Funcionários do Frigorífico Larissa. Os temas centrais da capacitação foram:
a) Conceitos de perigo, risco e comportamento seguro no ambiente de trabalho;
b) Princípios de proteção de máquinas e equipamentos;
c) Ergonomia aplicada ao contexto industrial.
O primeiro dia de capacitação encerrou-se com a apresentação dos conceitos de proteção de máquinas e equipamentos. Foram apresentados os conceitos de risco mecânico e os seus tipos, as medidas de segurança em instalações e serviços em eletricidade, os dispositivos de partida, acionamento, parada e emergência, e a importância da sinalização.
O segundo dia de atividade iniciou com os conceitos da ergonomia aplicada ao contexto industrial. Os trabalhadores tiveram a apresentação dos fatores que impactam nas condições de trabalho, como o levantamento e transporte manual de cargas, os mobiliários, equipamentos do posto de trabalho, as condições ambientais e a organização do trabalho. Foi ressaltada a importância da realização de uma análise ergonômica para a correta avaliação e recomendações para melhoria do ambiente laboral.
Ao término do terceiro tópico, os participantes responderam um formulário com sessenta e nove (69) itens para avaliar as condições de segurança e saúde no ambiente laboral de acordo com sua percepção dos riscos e perigos. A criação do formulário tomou como base os itens propostos pela Organização Internacional do Trabalho na publicação Pontos de Verificação Ergonômica, distribuído no Brasil pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (OIT, 1996).
Os temas contemplados no formulário e avaliados pelos treinandos foram manipulação e armazenagem de materiais; ferramentas manuais; segurança do maquinário de produção; melhoria do posto de trabalho; riscos ambientais e equipamentos de proteção individual.
Inicialmente cada pessoa respondeu individualmente e na sequência foram formadas duplas para que fossem discutidas as visões e pontuando os locais com necessidade de intervenção, formando um documento único.
Ao iniciar a terceira oficina, os trabalhadores foram divididos em quatro grupos para analisar as opiniões das duplas e aglutinar as percepções em um único documento, onde cada funcionário teve a oportunidade de apresentar seus pontos de vista. Após a explanação e argumentação de todos, foi solicitado que o grupo priorizasse três situações de maior risco, de acordo com suas respostas e levantamentos feitos.
Cada um dos grupos apresentou e puderam argumentar quais eram suas prioridades de intervenção. Todas as prioridades foram projetadas na tela e transcritas em um documento único. Em seguida, cada participante recebeu dois adesivos e colocou ao lado da situação que acreditava ser mais importante a intervenção para melhoria.
Após a contagem dos votos, e discussão sobre as similaridades entre muitos dos postos ou situações elencadas e votadas, foram escolhidos dois postos de trabalho para estudo. Os quatro grupos foram agora divididos em apenas dois.
Para continuidade do processo, para o próximo encontro, cada grupo deveria:
1) tirar fotos da situação escolhida;
2) descrever as situações de risco;
3) discutir com o grupo as possíveis alterações possíveis; e
4) elaborar uma apresentação para o próximo encontro com a proposta de intervenção.
No período entre os encontros, cada uma das duas equipes se reuniu, realizou pesquisas e estudos sobre a situação a ser melhorada, aplicabilidade e mudanças necessárias para prevenção de doenças e acidentes de trabalho.
No quarto encontro, os dois grupos fizeram a contextualização da situação atual e a proposta de melhoria discutida. Após a apresentação de cada equipe todos os participantes puderam contribuir com suas visões, criando assim um ambiente rico para o debate e discussão de melhoria do processo. Notou-se que todos os participantes puderam contribuir com sugestões de melhoria, tanto na sua equipe como na outra, fazendo com que o debate fosse ainda mais produtivo, incluindo outras visões e experiências.
Para encerrar as atividades, foi solicitado aos participantes que discutissem em grupo como dariam continuidade ao processo de melhoria das demais situações que foram pontuadas, mas que não puderam ser trabalhadas nas oficinas. Os dois grupos foram unanimes em elencar e designar a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) como o elo que poderia agregar esse desafio.
Foi solicitado aos participantes que fizessem uma avaliação de todo o processo, desde o primeiro encontro, os temas abordados, a metodologia utilizada, a dinâmica e condução das atividades. Foram relatados vários aspectos positivos e da necessidade da continuidade de ações que envolvessem este tipo de atividade desenvolvida.
Depois da fala dos participantes, foi entregue um formulário para avaliação de eficácia da oficina. Foram avaliados os itens sobre o programa do curso, sobre o instrutor, sobre os recursos utilizados uma autoavaliação sobre a participação de cada.

Etapas metodológicas:
Conhecer o processo industrial, o fluxo de trabalho, as condições ambientais.
Avaliação prévia dos postos de trabalho.
Entrevista com os funcionários.
Coleta e análise de documentos.
Aplicada um check list das principais Normas Regulamentadoras, com duzentos e treze (213) questões.
Realização de quatro oficinas de capacitação, cada uma com duração aproximada de duas horas e trinta minutos e com objetivos bem definidos.
Execução da avaliação de todo o processo e preenchimento de um formulário para avaliação de eficácia da oficina, pelos participantes.

RESULTADOS
Pode-se concluir que a metodologia proposta atingiu resultados positivos, pois houve interação entre todos os participantes, independente do grau de escolaridade ou setor da empresa, as discussões permitiram o reconhecimento sobre os riscos e perigos nos locais de trabalho, pois muitos ainda não tinham conhecimento sobre os conceitos.
Após uma reunião crítica ao final de todo o processo, chegou à conclusão que o projeto atingiu o seu objetivo geral, pois em todo o seu processo foi possível o envolvimento de todos os treinandos.

Referências Bibliográficas
Bley, J. (2014). Comportamento seguro: psicologia da segurança no trabalho e a educação para a prevenção de doenças e acidentes. 2ª ed. ampl. Belo Horizonte: Artesão Editora.
Buczek, M. R. M., Adad, B. C. B., Nadolny, L. (2011). Ateliê in company com foco na ergonomia participativa para melhoria do abastecimento de uma caldeira à lenha. Colóquio Internacional de Segurança e Higiene Ocupacionais - SHO 2011. Portugal: Sociedade Portuguesa de Segurança e Higiene Ocupacionais (SPOSHO), V.1. pp.141 - 145
Kazutaka, K. (2012). Roles of participatory action-oriented programs in promoting safety and health at work. Safety and health at work, V. 3, n. 3, pp. 155-165.
Organização Internacional do Trabalho (1996). Pontos de verificação ergonômica: soluções práticas e de fácil aplicação para melhorar a segurança, a saúde e as condições de trabalho. Copyright da tradução em português © Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do trabalho. 1ª ed. São Paulo. (2001).

Segurança Comportamental

A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

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