COMPORTAMENTOS DE PREVENÇÃO ACIDENTES EM CASA COM BEBÉS E CRIANÇAS

03 dezembro 2016
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Author :   Sónia P. Gonçalves
Citar ARTIGO: Gonçalves, S.P. 2014. Comportamentos de Prevenção Acidentes em Casa com Bebés e Crianças. Revista Segurança Comportamental, 9, 6-7. Sónia P. Gonçalves | Doutorada em Psicologia Social. Diretora-adjunta ISEIT. Diretora do Conselho Editorial da Revista Segurança Comportamental | sonia.goncalves@segurancacomportamental.com

As crianças são o futuro da sociedade. Por natureza são curiosas e gostam de tocar e experimentar tudo o que as rodeia, sem terem noção dos perigos e dos riscos. Cabe aos adultos protegê-las e ensiná-las!

As crianças desde que nascem são muito interessadas, querem investigar e explorar, tudo o que pegam, levam à boca. São atraídas pelos objetos que sobressaem, como fios elétricos e tomadas de corrente. Iniciam a deambulação: gatinham, caminham e trepam.
A Organização Mundial de Saúde (OIT) e a UNICEF referem que os acidentes com criança são um dos maiores problemas de saúde pública, que merecem atenção urgente. Cerca de 830 mil crianças morrem vítimas de acidentes, anualmente, em todo o mundo. Os acidentes ocupam o primeiro lugar nas causas de morte e incapacidade temporária ou permanente em crianças. Os acidentes de viação são os mais comuns, contudo, não podemos esquecer os acidentes domésticos especialmente até aos primeiros quatro anos de vida.
Há uma forte associação entre a idade da criança, o seu desenvolvimento, a forma como interage com o mundo e o tipo de atividades que desenvolve, assim como, o tipo de acidente que pode ocorrer. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) os acidentes mais frequentes em bebés com menos de um ano são as queimaduras e os estrangulamentos. Em crianças maiores de um ano, são os traumatismos e as intoxicações. Se tivermos em conta o sexo, os acidentes ocorrem 2,5 vezes mais nos meninos do que nas meninas.
A OMS e a UNICEF reconhecem que a prevenção dos acidentes em crianças deve ser uma responsabilidade partilhada pelo governo, organizações não-governamentais, instituições académicas, agências nacionais e internacionais, entidades dos setores públicas e privado. Enfatizam o papel do setor da saúde. A prevenção passa particularmente pela recolha e análise de informação, identificação e análise dos fatores de risco, implementação, monitorização e avaliação de intervenções e prestação de cuidados primários, secundários e terciários. Contudo, cada um de nós é um agente ativo, nas nossas práticas e comportamentos diários em nossa casa.
A casa é a referência do bebé e criança, o seu “porto seguro”, todavia isto não significa que seja um espaço com segurança.
Há alguns aspetos que não podem ser negligenciados pelos cuidadores, que devem colocar-se no lugar dos bebés e crianças, gatinhando pela casa para identificar potenciais perigos que se encontram ao nível do bebé e criança e que de outra forma não temos noção. Ao identificarmos esses perigos temos a possibilidade de tomar as devidas precauções para evitar possíveis acidentes. Os pais, familiares e cuidadores devem ter assim, um papel ativo, não só em termos de vigilância, mas especialmente através da implementação de medidas de segurança e na educação para a segurança.
De seguida apresenta-se uma sistematização de algumas medidas a adotar na casa em geral, e em cada divisão em particular que poderão ajudar na prevenção dos acidentes domésticos.

I - Recomendações de segurança para dentro de casa:
- Colocar cancelas nas escadas e nas varandas.
- Colocar travões nas portas e janelas.
- Colocar proteções próprias nas tomadas elétricas.
- Prender fios elétricos às paredes ou ao chão ou dentro de calhas técnicas.
- Prender estantes ou outros móveis à parede.
- Colocar proteções nas lareiras e nas outras fontes de calor.
- Colocar proteções nas esquinas mais angulosas dos móveis mais baixos.
- Colocar antiderrapantes por baixo dos tapetes.
- Retirar as chaves da porta.
- Guardar objetos perigosos (ex: facas, tesouras, lâminas, ferramentas, armas) em armários fechados à chave.
- Optar por produtos certificados que ofereçam garantias de segurança.
- Verificar a adequabilidade do brinquedo e idade recomendada.
- Nunca deixar toalhas de mesa muito compridas ou com recipientes contendo alimentos quentes, facas ou louças.
- Guardar as bebidas alcoólicas em locais altos.
- Guardar e deitar em recipientes próprios as pilhas, pesticidas ou outros produtos tóxicos.
- Privilegiar a aquisição de frascos e embalagens com abertura “à prova de criança”.
- Não usar anéis, brincos ou outros adereços que possam ser retirados com facilidade.
- Verificar os botões e adereços das crianças garantindo que estão bem cosidos.
- Verificar se os cortinados estão bem fixos, pois as crianças gostam de se apoiar e puxar por eles.
- Não deixar a criança sem vigilância de um adulto. Mesmo enquanto a criança dorme, deve-se certificar que pode ser ouvida facilmente.
- Sempre que o bebé está na cadeirinha, espreguiçadeira, carrinho, etc., deve estar devidamente preso com o cinto do próprio dispositivo.
No quarto de dormir:
- Utilizar berços e camas que cumpram as normas de segurança, nomeadamente grades com uma distância entre si inferior a 6 cm e com altura de 60 cm.
- Não utilizar sacos de água quentes ou cobertores elétricos.
- Guardar objetos que possam ser engolidos ou representar perigo de asfixia (ex: brinquedos pequenos, almofadas).
- Nunca deixar uma criança em cima do muda fraldas ou da cama sem proteções, nem que seja por breves segundos.
- Colocar grelhas de proteção diante de aquecimentos.
- Não deixar cordões ou fitas à altura do pescoço do bebé (ex: cordão da chucha).
- Não deixar brinquedos dentro do berço ou da cama do bebé.

“Os pais educadores têm a obrigação de manterem a sua casa em condições de segurança, para de seguida prosseguirem sustentadamente com a educação em segurança dos seus filhos, com o objectivo de que estes identifiquem os perigos e valorizem os riscos do seu espaço habitacional e se comportem de forma preventiva.”

Na cozinha:
- Nunca deixar a criança sozinha na cozinha, nem deixar que corra ou brinque perto das fontes de calor.
- Colocar proteções no fogão, nas portas do forno (bloqueador) e nos botões.
- Utilizar os bicos de trás do fogão e colocar as pegas dos tachos voltadas para dentro.
- Não colocar panelas ou alguidares quentes no chão ou na borda das bancadas.
- Nunca transportar água a ferver ou líquidos quentes na proximidade das crianças.
- Fechar bem a máquina de lavar loiça.
- Guardar os produtos de limpeza em armários altos e se possível com fechos de segurança.
- Colocar os objetos perigosos (facas, loiça, fósforos, sacos de plástico, talheres) fora do alcance das crianças.
- Fixar a toalha à mesa com molas apropriadas.
- Não cozinhar com a criança ao colo.

“Cerca de 830 mil crianças morrem vítimas de acidentes, anualmente, em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) os acidentes mais frequentes em bebés com menos de um ano são as queimaduras e os estrangulamentos.”

Na casa de banho:
- Nunca deixar a criança sozinha no banho.
- Não deixar a banheira com água.
- Garantir que água do banho ronda os 37 graus.
- Colocar tapetes antiderrapantes na banheira.
- Colocar proteções na tampa das sanitas.
- Guardar em locais altos e trancados, inacessíveis às crianças, medicamentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza.

II - Algumas recomendações de segurança para fora de casa:
- As crianças devem estar sempre acompanhadas por um adulto, terem a noção de que não devem aceitar nada de estranhos, nem irem com estranhos.
- Nunca se deve transportar a criança no carro ao colo. Nos veículos usar sempre os dispositivos de retenção apropriados, adequados à idade e peso, não esquecendo de desligar o airbag caso vá no lugar do passageiro da frente. Não deixar a criança sozinha no carro.
- Ensinar as regras básicas de segurança rodoviária, como atravessar a passadeira e não brincar ou correr na estrada.
- Colocar proteções em piscinas, lagos ou tanques de lavar a roupa.
- Ensinar a criança a respeitar os animais e a manter uma distância segura.
- Ensinar a criança a não pôr na boca objetos que encontra na rua (ex. paus).
- Na época balnear seguir as regras de segurança para evitar a exposição solar e afogamento. Um ponto importante de reforçar: há que ser disciplinados, caso contrário, chegará o dia em que algumas destas medidas não foi tida em conta e o acidente acontece.
As medidas de segurança não devem impor limitações ao espaço de descoberta e aprendizagem da criança. Nos primeiros tempos da vida da criança, o adulto deverá identificar os perigos, eliminando, reduzindo ou controlando os riscos, mantendo a vigilância das atividades da criança, e de seguida progressivamente educar para a segurança.

Contactos úteis (Portugal):
Linha Saúde 24 Pediatria - 808 242 400
Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil - 214 858 240
Centro de Informação Antivenenos - 808 250 143
SOS Criança - 217 931 617 (Gratuito: 116111)
Sociedade Portuguesa de Pediatria - 217 574 680

Referências bibliográficas
Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) - http://www.apsi.org.pt/
Deco - http://www.deco.proteste.pt/familia-vida-privada/nc/dicas/prevenir-acidentes-criancas
Pinheiro, L. (2010). Manual para pais de primeira viagem (e seguintes...). Lisboa: Ebbo Edições.
Sociedade Portuguesa de Pediatria - http://www.spp.pt
Souza, L.J.E.X. de& Barroso, M.G.T. (1999). Revisão bibliográfica sobre acidentes com crianças. Rev.Esc.Enf.USP., 33(2), 107-112.
World Report on Child Injury Prevention (2008) - http://www.unicef.org/eapro/World_report.pdf

Segurança Comportamental

A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

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