COMUNICAÇÃO INTERNA EM SEGURANÇA, SAÚDE E AMBIENTE: DIFICULDADE EM ENCONTRAR O TOM CERTO!

04 abril 2017
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Author :   Martín Fernández Henrik
Citar ARTIGO: Henrik, M. 2014. Comunicação interna em segurança, saúde e ambiente: dificuldade em encontrar o tom certo!. Revista Segurança Comportamental, 8, 37-38 Martín Fernández Henrik. Consultor especialista em Cultura de Segurança, Saúde e Ambiente. Comunicação interna e gestão da mudança. Presidente da Whycomm, S.A.

Para que haja comunicação, terá que existir um tom certo que se atinge com o entendimento entre o emissor e o recetor. Quando o tema é segurança, e isso representa vida, os recursos de comunicação são reduzidos.

As campanhas de comunicação interna de segurança, saúde e ambiente, têm uma dificuldade central para o desenvolvimento: encontrar o tom certo. Deverá lembra-se que, este, o tom, é um requisito essencial para qualquer comunicação alcançar um impacto positivo, seja comunicação interna ou externa. Para entender a importância do tom na comunicação pode traçar um paralelismo com uma frequência de rádio. Quando sintonizar um programa, e para ajustar o aparelho, irá ajustar internamente o tom de quem fala. É o tom comunicacional que se tornaria característico da mensagem que nos faz “entrar em sintonia” com quem se quer comunicar. Se o recetor não sintonizar, não há comunicação. E isso geralmente é da responsabilidade de quem emite. Por outro lado, quando esta ligação é alcançada, quando o mensageiro está ligado à mensagem, a grande parte do problema está resolvido. As ideias criativas e até as más ideias produzem excelentes resultados quando existe sintonia entre o emissor e o recetor. Deverá ter-se atenção para não se confundir a ideia e o conceito, porque para um só conceito podem existir várias ideias, ou seja, várias formas de transmitir o conceito. Enfim, toda essa introdução foi para começar a analisar três elementos que são usados, com frequência, na comunicação interna de segurança. Quando o que está subjacente a qualquer assunto é a própria vida, a gama de recursos de comunicação utilizados é reduzida, e a busca para encontrar o tom certo, a linha direta com o alvo, nem sempre é uma tarefa simples. As mensagens publicitárias de construção lógica têm as suas próprias regras e as suas próprias ferramentas, torna-se imprescindível não gerar ruído interno nas pessoas que recebem a mensagem. A comunicação e ferramentas de publicidade para alcançar uma maior eficácia são chamadas, talvez, recursos criativos. O que precisamos para construir a comunicação em segurança, saúde e ambiente? A resposta são os recursos criativos apropriados. Apresento aqui três desses recursos:
1) Humor
O humor é o recurso central da publicidade contemporânea, mas em segurança raramente é utilizado. Quando o que está em jogo é a vida, quase nenhuma construção humorística funciona. O humor, à priori, traz inerentemente a ideia de um bom momento. O objetivo da comunicação em segurança não é para que o recetor passe um bom momento, mas sim para estimular a promoção de bons resultados. Em suma, dada a sensibilidade das questões, o humor é um recurso ousado, mas é possível ser usado com cuidado para satisfazer situações específicas. Na Volkswagen da Argentina, foi desenvolvida uma campanha sobre a falta de atenção e a ligação aos acidentes de trabalho. Na imagem da campanha, temos por um lado um trabalhador a ouvir musica, superdivertido, e por outro lado o mesmo trabalhador a correr porque o alarme da emergência tocou. Refere o anúncio a não permissão de artigos eletrónicos (rádio, walkman, discman, telemóveis, mp3, mp4) na linha de produção, pelo facto de reduzirem a perceção auditiva dos sinais sonoros de alarme.
2) Imagens chocantes
As imagens chocantes é um dos recursos mais utilizados na comunicação dentro das empresas e em pequenas reuniões. Estes recursos são recomendados para campanhas de comunicação interna globais (aquelas que atingem todos os segmentos da organização). O motivo destes recursos é porque conseguem procurar uma consciência mais elevada, associada ao medo, não sendo associada à responsabilidade individual. É certo que mostrar uma mão mutilada, faz-nos apreciar mais as nossas mãos, embora eu não esteja totalmente convencido que seja um bom argumento, porque pode induzir mais atenção através do medo e pode criar um aumento de sentimento de insegurança e ansiedade, diariamente. A Petrex, uma empresa petrolífera, realizou uma campanha onde mostra uma mão mutilada e onde expressa o seguinte texto: “A ferramenta mais preciosa. Você só tem 2 mãos e 10 dedos. Qual estaria disposto a perder? Nenhum! Todos são igualmente importantes.”
3) Uso de um slogan
A segurança é uma construção coletiva, não há “áreas responsáveis pela segurança”. Existem áreas que têm como tarefa o desenvolvimento cooperativo e geral das questões de segurança e saúde no trabalho. Esta área não pode ser considerada com um anexo, mas sim integrada com as restantes áreas. Não há nenhuma operação sem segurança, como não existe a segurança isolada de qualquer outra operação. A segurança é um atributo que pode ser separado em termos de análise, mas não deve ser possível avaliá-la separadamente da operação. Se a segurança não é um valor fundamental e partilhado por toda a organização, não será fácil que a operação incorpore isso na sua profundidade. O que não é do interesse geral, não se transforma num valor para a organização. Tendo em foco o terceiro atributo, qual a forma que considera mais adequada para criar valor organizacional? Em princípio, através da comunicação. Também com a coerência entre o que fazemos e o que dizemos. Para uma mensagem ser incorporada deve ser repetida várias vezes e ser coerente com o pensamento organizacional. Mas, em nítido contraste com o pensamento idealista “o que não se comunica, não acontece”. De nada serve se a alta gerência está comprometida firmemente em promover a segurança na organização, se não houver uma correlação comunicacional potente. O tom de comunicação de segurança não é apenas um slogan, porque, precisamente, o slogan é percebido como tal e não como algo real. Toda a operação deve ter a segurança incorporada e não como um anexo.

Existe uma saída?
Sim, existe, e leva-nos ao ponto de partida, respondendo ao grande problema da comunicação em segurança: o que é o tom certo? Não é o mesmo que dizer “É necessário, entre todos, construir uma forte cultura de segurança”, ou que “ A segurança do nosso povo está sempre em primeiro lugar.” Enquanto as duas frases têm características publicitárias, na primeira a construção é mais simples, com cariz menos publicitário e por isso menos recordada. Mas um slogan com um cariz mais publicitário faz com que as pessoas fiquem mais desconfiadas (Jacobson descreve a poesia como função importante na comunicação). Uma saída intermediária seria: “A segurança, fazêmo-la todos juntos”. Portanto, não há solução? Há, mas é mais complexa. Devemos construir slogans que não tenham a criatividade como atributos principais. Devemos aumentar a frequência de publicação e rodar com relativa frequência a mensagem (ideias diferentes do mesmo conceito). Mas o que é mais importante, é a capacidade de envolver as pessoas que trabalham na organização na aprovação das ideias centrais. Antes de um slogan ser publicado, deve ser aprovado por tantas pessoas quanto possível. Podem ser aprovadas em eventos lançados para este efeito, ou mesmo nas reuniões já estabelecidas. O envolvimento é a receita infalível da comunicação em particular para a construção da cultura de segurança.

Parece muito complexo?
Já ouvi alguém dizer que a segurança é uma questão simples? Então porque seria a área da comunicação em segurança e saúde! O governo britânico lançou uma campanha sobre as quedas. Nos cartazes estava a expressão: “Cair de uma altura baixa pode ser um alto risco. Proteja o seu negócio das quedas.” São também publicadas as estatísticas das quedas. Utilizam imagens, com vários tipos de corpos a caírem (em movimento) e estes encontram-se caracterizados pelas várias profissões, em vários contextos. Termino o artigo afirmando que a conceção desta campanha evita imagens chocantes de um acidente, antecipando-os (a queda, em movimento) e exibe os resultados por meio de uma metáfora (corpos que quebram como porcelana).

Referências Bibliográficas
Jakobson, R. (1984). Ensayos de Linguistica General. Barcelona: Editorial Airel, S.A.

Segurança Comportamental

A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

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