EMÍLIA TELO: Aposta futura em SST será a nível comportamental

11 abril 2017
(1 Vote)
Author :   Emília Telo (Ponto Focal Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho)
Citar ENTREVISTA: Gomes Augusto, N. (2013). Aposta futura em SST será a nível comportamental porque poderá ser a mais económica - Entrevista com Emília Telo. Revista Segurança Comportamental, 7, 22-28 Entrevista: Natividade Gomes Augusto | Jornalista: Sandra Sousa | Fotógrafo: Daniel Viana Martins

A aposta futura em SST será a nível comportamental porque poderá ser a aposta mais económica.

Emília Telo nasceu no Funchal em 1967. Aos 17 anos de idade veio estudar bioquímica para a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Trabalhou sempre na área da SHST. Lecionou em algumas universidades e institutos superiores e realizou vários trabalhos de investigação científica. Concluiu em 2010 o doutoramento. Atualmente é representante, em Portugal, da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, sendo o seu ponto focal. Emília Telo diz à revista segurança comportamental que “(...) ao nível do fator humano, ainda há muito a fazer”. Considera-se otimista e afirma que “(...) as pessoas, no futuro, irão apostar muito mais na higiene e segurança no trabalho. (…) porque a melhoria das condições de trabalho nem sempre custa muito dinheiro, principalmente as que incidem na mudança de comportamentos. A próxima campanha europeia da EU-OSHA, 2014 - 2015, será sobre os riscos psicossociais em todos os setores de atividades. Riscos psicossociais não são sinónimo de segurança e saúde comportamental, embora esta última deva ser aplicada à análise, identificação e intervenção preventiva e corretiva desta tipologia de riscos, assim como, nas restantes tipologias. “A maioria das empresas, trabalhadores e até técnicos não sabem muito bem o que são riscos psicossociais, não sabem como avaliá-los, nem preveni-los.”

[Revista Segurança Comportamental]
Enquanto representante, em Portugal, da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, qual é a sua opinião sobre o estado da segurança e saúde no trabalho a nível europeu?
[Emília Telo]
Está de boa saúde! Existe mais de uma dezena de organizações na Europa que se preocupam com as condições de trabalho. Além das autoridades competentes em matéria de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) dos Estados Membros, temos a nível comunitário a Comissão Europeia (com o SLIC - Senior Labour Inspectors Committee - Comité dos Altos Responsáveis das Inspeções do Trabalho e o SCOEL - Scientific Committee on Occupational Exposure Limits, entre outros), algumas agências como a EuroFound (Fundação Europeia para a Me-lhoria das Condições de Vida e de Trabalho, a Fundação Dublin) e, claro, a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA). Também temos o envolvimento dos parceiros sociais, de várias redes e de organizações profissionais de SST, das institui- ções de investigação, e ainda organizações internacionais, como a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a OMS (Organização Mundial de Saúde), que desempenham um papel importante neste domínio, contribuindo para a concretização de um quadro de segurança e saúde no trabalho moderno, eficaz e eficiente na Europa.

[RSC]
E no contexto europeu, como vê o papel do fator humano?
[ET]
Ao nível do fator humano, ainda há muito a fazer. Na Europa temos realidades muito diferentes. No norte da Europa temos uma postura e uma cultura de segurança um pouco diferente da cultura do sul da Europa. Temos comportamentos diferentes, temos maneiras de estar diferentes, por isso, a nossa perceção sobre os riscos também é diferente. Mas ainda temos muito a fazer, quer no sul, quer no norte. Temos que continuar a formar e a informar, tanto os novos profissionais, como os que já trabalham. Nunca poderemos ficar de braços cruzados e dizer que os resultados são satisfatórios, porque o objetivo é sempre atingir a excelência, diminuindo o número de doenças profissionais e de acidentes de trabalho. Neste sentido, é um trabalho que tem de ser feito diariamente e de forma continuada.

[RSC]
E comparativamente com o resto do mundo?
[ET]
As diferenças de país para país e continente para continente são muito grandes. Temos que diferenciar os estados mais desenvolvidos, que em matéria de SST podemos identificar o Canadá, os Estados Unidos, que estarão a par da Europa, e os países em vias de desenvolvimento e os do terceiro mundo. Penso que no continente africano e nomeadamente nos países que falam o português, poderá haver uma melhoria das condições de trabalho, com o crescimento da taxa de emigração, para esses países, dos nossos técnicos de segurança. Os técnicos e inspetores portugueses, ao longo das últimas duas décadas, foram dar formação a Angola, a Moçambique, a São Tomé e Príncipe, a Cabo Verde, ou seja, o nível de desenvolvimento de Portugal nesta matéria irá influenciar positivamente estes países.

[RSC]
Falando agora sobre a sociedade portuguesa, interessa-nos saber como é que, na sua perspetiva, a sociedade portuguesa vive e viveu a última campanha “Juntos na prevenção dos riscos profissionais”, tendo em conta que abordaram muito as questões da liderança e da participação dos trabalhadores. Como é que isto foi visto em Portugal, na sociedade portuguesa e, sobretudo, nas empresas?
[ET]
Ainda estamos na campanha, pois esta decorre durante os dois anos, 2012 e 2013. Até agora já realizamos mais de seis dezenas de eventos, entre eles seminários, workshops, exposições fotográficas, ações com o NAPO, etc. Consideramos que a campanha está a ter sucesso, porque tem havido muita adesão quer dos parceiros sociais, representantes dos empregadores e representantes dos trabalhadores, quer dos técnicos de segurança no trabalho e médicos do trabalho. Mas também têm participado alguns empresários, o que é muito bom, porque esta campanha apela ao envolvimento e à liderança forte e eficaz em SST pelos gestores.

[RSC]
Como é que os empresários participaram?
[ET]
A participação dos empresários materializou-se essencialmente através de inscrições em eventos, como participantes. Por outro lado, algumas empresas vêm divulgar, publicamente, as suas boas práticas de gestão em SST (operacional) e de liderança na SST (estratégia). Demonstram como o processo bidirecional do envolvimento e da participação é importante para o êxito das iniciativas de gestão. Mostram como utilizam a avaliação de riscos para orientar as decisões. E como os gestores de topo compreendem a importância da comunicação na liderança.

[RSC]
Na sua perspetiva existem diferenças entre os países relativamente à envolvência nesta campanha?
[ET]
Não há muitas diferenças. A EU-OSHA traça uma estratégia e associa um plano de ações, depois o ponto focal de cada país concretiza esse plano tendo sempre como objetivo a maior taxa de eficácia desse plano. Mas esta eficácia depende da realidade de cada país e da rede de parceiros que o ponto focal consiga criar. Em Portugal, temos trabalhado em parceria com muitas organizações, incluindo organismos públicos, comunidades intermunicipais, autarquias, universidades, institutos superiores, escolas profissionais, escolas do primeiro, segundo e terceiro ciclos, associações empresariais, associações profissionais, sindicatos e entidades patronais. Tentamos chegar aos trabalhadores e aos empregadores através da rede que criamos: competirá a cada um fazer chegar a mensagem aos seus associados e partes interessadas.

[RSC]
E os outros países?
[ET]
Como disse atrás, a atuação irá depender sempre de cada país, embora a EU-OSHA dê indicações para o desenvolvimento, aplicação e promoção das campanhas, das estratégias e das melhores práticas SST na Europa.

Algumas soluções:
- Continuar a formar e a informar os profissionais;
- Potenciar as competências técnicas e comportamentais;
- Trabalhar diariamente e de forma continuada;
- Países mais desenvolvidos apoiarem os menos desenvolvidos;
- Divulgação e boas práticas;
- Criar e desenvolver o trabalho em rede, para a informação ser mais abrangente e mais rápida;
- Disponibilização de informação fiável, equilibrada e imparcial;
- Apoio à partilha e ao intercâmbio de informação;
- Existência de colaboração efetiva entre empregadores e trabalhadores;
- Dependência de serviços SST da entidade máxima na organização;
- Disciplina de SST integrada em mais cursos universitários.

[RSC]
Quanto à cultura de segurança da sociedade portuguesa. Considera que promove esta missão?
[ET]
Quanto à cultura de segurança já se melhorou muito nos últimos anos, com a publicação constante de legislação, com a certificação de técnicos de segurança e não só. Estamos a caminhar para termos locais de trabalho mais seguros, mais saudáveis, mais produtivos e com condições de vida e de trabalho cada vez melhores. Considero que a ACT promove esta cultura de prevenção de riscos profissionais, também com o apoio da EU-OSHA, designadamente através da disponibilização de informação fiável, equilibrada e imparcial sobre SST; do apoio à partilha e ao intercâmbio de informação; do desenvolvimento de ferramentas interativas de avaliação de riscos; da realização de concursos de fotografia, cinematográficos e de boas práticas; do fornecimento de informações práticas, normas orientadoras, boas práticas implementadas com sucesso num local de trabalho (que podem ser adaptadas e utilizadas noutros locais, com as devidas adaptações claro, pois considero que cada caso é um caso). Hoje a maioria das pessoas já se preocupa com a sua segurança e saúde no local de trabalho. Muito têm contribuído as campanhas e até a comunicação social, que tem dado relevo aos acidentes graves que vão ocorrendo.
Eu acho que estamos a evoluir para uma maior participação dos trabalhadores, para um maior envolvimento de todos nestas questões de SST. Acho que as pessoas, no futuro, irão apostar muito mais na higiene e segurança no trabalho. É uma opinião otimista, mas acho que sim, porque a melhoria das condições de trabalho nem sempre custa muito dinheiro, principalmente as que incidem nas mudanças de comportamento. E, muitas das vezes, não é possível substituir o que é perigoso por um menos perigoso. Mas podemos criar novos proce-dimentos de trabalho, diminuir o tempo de exposição, promover a rotatividade dos trabalhadores. Claro que o ideal seria eliminar o perigo, mas, não sendo possível.

[RSC]
Essa questão é no fundo uma medida organizacional, não é?
[ET]
Sim.

[RSC]
Mas ao nível do fator humano, ou seja, para além da sensibilização que temos de dar, que já referiu, na sua opinião como se poderia melhorar a cultura de segurança em Portugal?
[ET]
Só poderemos interiorizar esta cultura com abordagens de desenvolvimento sustentável e de mudança cultural, de mudanças organizacionais onde haja uma colaboração efetiva entre empregadores e trabalhadores. Teremos que potenciar as competências técnicas e comportamentais, promover a produtividade, o desempenho e o bem-estar, integrar os valores e cultura da organização. Só com o envolvimento das pessoas e com a sua participação é que teremos trabalhadores mais satisfeitos, mais motivados e produtivos. É cada vez mais relevante a criação de Valor nas organizações. Numa empresa, a SST não pode ser vista como uma gaveta/secção à parte. Tem de haver interligação da SST com as outras áreas de gestão, como por exemplo a gestão dos recursos humanos e a gestão financeira.

[RSC]
E em termos de organograma, acha que os serviços devem ser dependentes de quem?
[ET]
Da entidade máxima. Terá que haver um compromisso efetivo da gestão de topo, que seja claro que a SST é uma prioridade da gestão. O gestor de topo ou o administrador é que tem o poder decisório, e tem um papel transversal e imparcial a toda empresa, necessário para o desenvolvimento desta temática. Sem isso, não iremos conseguir grande coisa. Por isso, o gabinete, o departamento, o serviço externo ou interno tem de depender da gestão de topo.

[RSC]
E, na sua opinião, como é que os empresários portugueses vêem as questões da segurança e saúde no trabalho?
[ET]
Pois, aqui, já não tenho uma visão tão otimista. Ainda veem estas questões como um custo. Como o tecido empresarial é composto maioritariamente por PMEs, prevalecem os serviços externos de SST. Algumas destas empresas prestadoras de serviços externos, não conhecem bem os métodos de trabalho dos trabalhadores das empresas clientes, porque visitam poucas vezes as empresas clientes, prestam muitas das vezes um serviço meramente administrativo/legal. Assim, não apelam ao envolvimento e participação dos principais atores, os trabalhadores e os empregadores das empresas. Poucas empresas optam pela modalidade de serviços internos de SST. As grandes empresas que têm serviços internos já veem esta temática de forma diferente, já consideram que é uma mais-valia ter os serviços de SST e a sua implementação um benefício. Embora também aqui existam exceções.

[RSC]
Portanto, no fundo, as empresas pretendem apenas cumprir um requisito legal?
[ET]
O tecido empresarial português é composto por 99,9% de micro e PMEs e 0,1% por grandes empresas. Logo aí, as micro empresas e algumas PMEs, com as atuais dificuldades económicas, estão mais preocupadas em manter-se em atividade. Por isso, acabam por não tirar partido da organização dos serviços de SST.

[RSC]
E como é que as empresas portuguesas reagem à prevenção e inspeção relativamente aos riscos psicossociais?
[ET]
A maior parte das empresas ainda não tem uma perspetiva de que existem riscos psicossociais dentro das organizações. Nos setores da saúde e educação, estes riscos já são conhecidos e até já intervencionados. O ano passado o SLIC, o Comité dos Altos Responsáveis das Inspeções do Trabalho, organizou uma campanha de riscos psicossociais no setor da saúde, e neste momento já estarão mais sensibilizados para estas questões. O tema da próxima campanha europeia da EU-OSHA, 2014 - 2015, será sobre os riscos psicossociais. Será uma campanha que irá abranger todos os setores de atividades. A maioria das empresas, dos trabalhadores e até técnicos não sabem muito bem o que são riscos psicossociais, não sabem como avaliá-los, nem preveni-los. Há que apostar, nesta fase, na formação e na informação.

[RSC]
Como é que considera o desempenho do Estado Português na área da segurança e saúde no trabalho?
[ET]
O Estado tem um papel muito importante nas questões de Segurança e Saúde no Trabalho. Temos de estar mais próximos das organizações, temos de informar os nossos stakeholders, as partes interessadas, temos de incentivar e reconhecer boas práticas de SST, temos que regular o mercado nesta matéria. Temos de fazer o tal trabalho em rede que a agência europeia propõe. Mas isto só se consegue com um corpo técnico altamente qualificado e uma equipa multidisciplinar.

[RSC]
Acha que a prevenção está mais esquecida agora do que há uns anos atrás?
[ET]
Nós tivemos, na década de oitenta, antes da transposição para a ordem jurídica interna da diretiva comunitária relativa à segurança e saúde no trabalho, uma Direção-Geral de Higiene e Segurança do Trabalho. A DGHST fundiu-se posteriormente com a Inspeção do Trabalho para formar o IDICT – Instituto de Desenvolvimento e Inspeção das Condições de Trabalho, em 1993. Foram feitas algumas ações de divulgação de informação através de campanhas setoriais, começamos a formar técnicos de segurança no trabalho. A medicina do trabalho deveria ter crescido nas mesmas proporções, mas não cresceu. Devia haver muito mais médicos do trabalho. Nessa altura, deu-se um boom: quer na validação de cursos de técnicos de segurança, quer na autorização de empresas prestadoras de serviços, quer na atribuição de certificados de aptidão profissional aos técnicos. Depois, em 2004, o Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (ISHST) e a Inspeção-Geral do Trabalho sucederam ao IDICT e a inspeção do trabalho ficou separada da prevenção. Desde sempre foram-se fazendo campanhas de sensibilização de SST setoriais. As atividades da EU-OSHA cá em Portugal foram crescendo e, neste momento, são em maior número, com mais ferramentas, com mais informação estatística (ESENER e Inquéritos de opinião) e resultados científicos (empregos verdes, etc.). Atualmente, esta crise parece querer descurar todas estas questões relacionadas com as condições de trabalho.

[RSC]
Futuramente, vamos andar para trás?
[ET]
Isso depende de todos nós. Estas questões de SST não podem ser esquecidas. Acho, também, que o ponto focal nacional tem aqui um papel muito importante, porque tem de continuar no terreno a promover mais iniciativas. É necessário envolver todos para que haja mais promoção da segurança e saúde no trabalho, para diminuir o número de acidentes de trabalho e de doenças profissionais, para que a cultura de segurança seja efetiva.

[RSC]
Em relação à investigação, como é que vê a relação entre o conhecimento prático das empresas e o conhecimento teórico saído das universidades?
[ET]
Nas universidades falta, ainda, na maioria dos cursos, disciplinas de segurança, higiene e saúde no trabalho. E isto é uma questão que temos defendido há mais de uma década. Já fizemos conquistas. Precisamos de estar mais ativos. Muitos cursos superiores ou profissionalizantes têm essas cadeiras, ou incorporam estas matérias de SST nalgumas unidades curriculares, mas era preciso fazer ainda mais. A nível de investigação em higiene, segurança e saúde no trabalho, cá em Portugal, vamos fazendo alguma, tendo em conta a dimensão do país. Na formação em ciência e tecnologia, alguns trabalhos são dimensionados nesta área, mas muito poucos comparativamente a outras áreas. Mas essa articulação entre a universidade e a empresa varia entre universidades.

[RSC]
Como acha que pode ser feita essa aproximação?
[ET]
Talvez sejamos nós os promotores. Todos teríamos interesse nessa proximidade. As medidas de prevenção que são implementadas pelas empresas, podem surgir de trabalhos de investigação promovidos pelas universidades, numa ótica de proximidade com a indústria. Porque só assim, as empresas lucrariam com isso, aquelas medidas seriam as mais ajustadas à sua realidade laboral.

[RSC]
Há algum tema que sinta a necessidade de ser investigado e que ainda não tenha sido?
[ET]
Há muitas áreas que precisam de continuar a ser investigadas. Por exemplo, o efeito para a saúde a longo prazo da exposição profissional a nanomateriais e outras substâncias e misturas químicas. Neste momento no topo da agenda das presidências europeias (Irlanda, Lituânia e Grécia) estão a diretiva dos campos electromagnéticos, as matérias atinentes às gravidas, puérperas e lactantes, onde há muita coisa a fazer, porque as mulheres e os homens trabalham na idade fértil. Há muitas substâncias químicas e outros riscos que vão afetar a fertilidade destas mulheres e destes homens, ou mesmo, até, afetar a descendência. A uma trabalhadora grávida pode ocorrer um aborto espontâneo ou morte fetal, por não estarem a trabalhar nas condições de trabalho adequadas ao seu estado. Há estudos que demonstram, por exemplo, que os solventes orgânicos podem fazer com que se verifique na descendência, mais tarde, na idade escolar, alterações comportamentais, no desenvolvimento cognitivo, como dificuldades de aprendizagem. Por isso, ainda há muito a fazer, há muito a investigar. Outro tema também muito importante, que é referido também pela OIT, e que a presidência europeia também quer abordar é o trabalho doméstico. Outro tema é o dos produtos químicos cancerígenos, mutagénicos e tóxicos para a reprodução. Há um manancial de temas a investigar.

[RSC]
Gostaríamos, para terminar, que deixasse uma mensagem aos nossos leitores, aos trabalhadores, aos empresários portugueses e à sociedade em geral.
[ET]
A mensagem é a do tema da campanha em curso “Juntos na prevenção dos riscos profissionais”. Peço mais envolvimento de todos na prevenção destes riscos.
Preocupa-me sobretudo as exposições que poderão levar ao aparecimento de uma doença profissional. A doença profissional é silenciosa, é muitas vezes devido a uma exposição continuada a um fator de risco, ou à exposição combinada a alguns, e o nexo de causalidade é muitas das vezes difícil de determinação.

  • FATORES HUMANOS NAS INVESTIGAÇÕES DE ACIDENTES. O modelo ABC e ABC reverso é usado para identificar comportamentos inadequados e propor soluções em investigações

    FATORES HUMANOS NAS INVESTIGAÇÕES DE ACIDENTES. O modelo ABC e ABC reverso é usado para identificar comportamentos inadequados e propor soluções em investigações

    Após um acidente existem muito esforço para determinar as causas raiz e recomendações respetivas, no entanto, não é raro que a ocorrência se repita. O drama se torna real quando precisamos escolher as recomendações, pois cada uma deve contribuir com sua “parcela de probabilidade”. Se não analisarmos profundamente o desvio comportamental, o tipo de erro cometido e sobretudo os fatores humanos envolvidos, a chance de sucesso é muito pequena. Este artigo contém uma sugestão de um método de análise, por abordar profundamente os fatores humanos envolvidos. São apresentados alguns conceitos e definições importantes que são fundamentais para a metodologia: erros internos e externos, fatores humanos e o modelo ABC e ABC reverso.

    Pay to read more

  • RASTREIO DA PRESENÇA DE ESTRESSE, RESILIÊNCIA E COPING ENTRE TRABALHADORES DE UMA INDÚSTRIA QUÍMICA, NO BRASIL

    RASTREIO DA PRESENÇA DE ESTRESSE, RESILIÊNCIA E COPING ENTRE TRABALHADORES DE UMA INDÚSTRIA QUÍMICA, NO BRASIL

    Este estudo teve como objetivo verificar a ocorrência de estresse e relações com coping e resiliência, fazendo a relação com dados epidemiológicos da população. Observou-se ausência de correlações entre determinado horário de trabalho e estresse. A maior parte da população apresenta nível de estresse ou de estresse elevado. Existe correlação negativa entre estresse e resiliência, indicando que quanto menor a resiliência maior o estresse, e correlação positiva entre resiliência e estratégias funcionais em coping. Existe correlação entre estratégias disfuncionais e estresse. Entre as estratégias disfuncionais predomina o fator “fuga e esquiva”.

    Pay to read more

  • ENVELHECIMENTO ATIVO E OS COMPORTAMENTOS SEGUROS EM SOCIEDADE

    ENVELHECIMENTO ATIVO E OS COMPORTAMENTOS SEGUROS EM SOCIEDADE

    Em Portugal, registaram-se mais de 2,1 milhões de idosos em 2017, o que equivale a cerca de 21% da população total no país. Segundo Euromonitor International os portugueses constituem a quinta população mais envelhecida do mundo. O processo de envelhecimento traz consigo, habitualmente, complicações diversas na saúde das pessoas, pelo que urge a importância crescente da prevenção e de novos comportamentos e hábitos de vida. Tendo este grupo de risco tendencialmente uma redução de mobilidade, uma das maiores preocupações, seja em casa ou na rua, são as quedas. São aqui apresentadas as medidas relacionadas não só com a mudança de comportamentos e hábitos do indivíduo tanto a nível físico, psicológico e social, mas também, nas condições habitacionais.

    Pay to read more

Segurança Comportamental

A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

Social Share

Pagamentos

# # # #


 

Top
We use cookies to improve our website. By continuing to use this website, you are giving consent to cookies being used. More details…