PRODUTOS QUÍMICOS E CRIANÇAS: QUE COMPORTAMENTOS DE SEGURANÇA DEVEREMOS TER?

29 abril 2017
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Author :   Maria João Oliveira
Citar ARTIGO: Oliveira, M. J. 2012. Produtos químicos e crianças: que comportamentos de segurança deveremos ter? Revista Segurança Comportamental, 5, 6-7 Maria João Oliveira | Mestre em Psicologia Social e Organizacional. Pós-Graduada em Segurança Higiene e Saúde no Trabalho. Doutoranda em Gestão na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

Acidentes domésticos com produtos químicos, em crianças, são frequentes. Urge uma mudança de comportamentos!

Introdução
Os acidentes domésticos com crianças são um flagelo e podem trazer consequências graves e irreversíveis, sendo um dos acidentes mais comuns o envenenamento. Na Europa, as intoxicações estão na origem de cerca de 2% das mortes acidentais em crianças até aos 14 anos de idade (OMS-96-00). Portugal detém uma média de 23% por 100.000 habitantes, de mortes acidentais por envenenamento em crianças e adolescentes até aos 19 anos de idade (Sethi et al., 2008). Ainda que Portugal se encontre entre os países com menor taxa de mortes acidentais por envenenamento (i.e., 26º de entre 38 países) uma simples consulta ao site da APSI (Associação para a Promoção da Segurança Infantil) permite verificar que em 2007 foram registados pelo Centro de Informação Antivenenos 10.673 (www.apsi.org.pt ) casos de intoxicações com crianças, dos quais mais de 65% se referem a crianças com idades compreendidas entre 1 e 4 anos e que, cerca de 54% dessas intoxicações têm origem na ingestão de medicamentos.
Razões apontadas
As crianças até aos 5 anos de idade (www.childsafetyeurope.org) são as mais suscetíveis a este tipo de acidente, dada a sua curiosidade e ao facto de levarem à boca praticamente tudo o que lhes possa parecer atrativo e comestível, numa atitude exploradora. Objetos com determinadas formas ou cores (e.g., laranja, redondos) tornam-se facilmente alvos comestíveis, o que muitas vezes sucede com os produtos tóxicos, como detergentes, lixívias, ou com os medicamentos.

Como prevenir
A prevenção de qualquer acidente deverá ser feita através de várias medidas em simultâneo e nunca apenas de uma só medida. O armazenamento de medicamentos, produtos químicos e tóxicos é crucial e uma das melhores formas de prevenir o acidente, sobretudo em crianças. Neste aspeto deve-se:
- Manter os produtos fora do alcance das crianças, em locais altos e fechados, onde o acesso direto não seja possível e o indireto (e.g., uso de um banco) seja dificultado;
- Manter os produtos em locais fechados, arejados e/ou usar mecanismos de segurança infantil (e.g., fechos para portas e gavetas).
- Privilegiar os produtos com tampa de segurança e resistentes às crianças;
- Manter os produtos na sua embalagem original (i.e., nunca utilizar por exemplo garrafas de água para colocar produtos tóxicos como diluente, por exemplo);
- Manter os produtos afastados dos géneros alimentícios;
- Fazer um curso básico de socorrismo;
- Manter sempre os números de emergência em local visível, de fácil acesso a quem possa dar o sinal de alarme.

Telefones úteis (Portugal):
Centro de Informação Antivenenos (CIAV) – 808 250 143
Número Nacional de Emergência – 112
Linha Dói-Dói Trim Trim – 808 24 24 00

Como atuar em caso de acidente
As intoxicações podem ocorrer por diversas vias, de forma isolada ou conjunta:
- Contacto com os olhos
. Lavar abundantemente com água corrente, do canto interno para o canto externo do olho;
- Contacto e contaminação da pele
. Retirar de imediato qualquer peça de vestuário que esteja impregnada do produto e que possa contaminar a pele;
. Lavar imediatamente com água corrente, em sentido descendente (i.e., do sentido da cabeça para os pés);
- Ingestão
. Depende das características de cada produto, mas não se deve provocar o vómito nem a ingestão de líquidos, sob pena de se aumentarem os danos provocados pelo produto ingerido;
. Neste caso deve-se contactar logo em primeiro lugar com o Centro de Informação Antivenenos (808 250 143)
. Inalação
- Retirar de imediato a criança do local onde inalou o produto tóxico, para um local arejado e arejar o local onde ocorreu a inalação.
Sempre que ocorra um contacto acidental com uma substância química, deve-se:
- Tentar identificar de imediato a substância;
- Guardar uma pequena quantidade da substância, caso sejam necessárias análises adicionais para a identificação do produto e/ou do tratamento (pode-se utilizar um saco de plástico limpo, novo e transparente; manter fechado);
- Verificar se no rótulo está indicada a forma de atuar em situação de emergência e seguir as instruções indicadas;
- Contactar o Centro de Informação Antivenenos e atuar de acordo com instruções dadas. Se necessário acionar o Número Nacional de Emergência (i.e., 112);
- Atuar de acordo com as instruções dadas pelas equipas de emergência contactadas.
- Se tiver de se dirigir a um Serviço de emergência deve-se fazer acompanhar de uma amostra do produto que provocou a intoxicação, sempre que possível (saco de plástico transparente, novo e limpo que deve ser mantido fechado).

Referências Bibliográficas
Sethi, D. et al (2008). European report on child injury prevention. Copenhagen: Who Regional Office for Europe
http://www.apsi.org.pt
http://www.childsafetyeurope.org
http://www.who.int/en/

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A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

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