PROGRAMA ENTRAR EM (RE)FORMA: PROMOÇÃO DA PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA NA TRANSIÇÃO PARA A FASE DE REFORMA

29 abril 2017
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Author :   Márcia Fernandes
Citar ARTIGO: Fernandes, M. 2012. Programa entrar em (Re)Forma: promoção da prática de atividade física na transição para a fase de reforma. Revista Segurança Comportamental, 5, 8-9 Márcia Fernandes | Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal

Em Portugal, o número de idosos irá duplicar o número de jovens. Pelo facto de Portugal liderar na Europa a tabela de países fisicamente menos ativos, há necessidade de promover o aumento dos níveis de prática de atividade física, por forma a melhorar a qualidade de vida dos portugueses.

Introdução
O envelhecimento da população é um fenómeno mundial é um dos desafios mais importantes do século XXI (Instituto Nacional de Estatística, 2002), que vem a ser discutido desde há alguns anos. Na Europa, prevê-se que em 2060, o número de pessoas com 65 ou mais anos aumente 12,9% (Comissão Europeia, 2008). Em Portugal, nos próximos 25 anos o número de idosos poderá mais do que duplicar o número de jovens (INE, 2007). Este evidente envelhecimento populacional acarreta elevados índices de dependência, conduzindo a uma diminuição da qualidade de vida (Fonseca, 2005; Paúl e Fonseca, 2005; Comissão Europeia, 2008).
Ao processo de envelhecimento está inerente uma fase de transição do ciclo de vida – passagem à reforma – tendo impacto na vida de cada indivíduo em vários domínios, nomeadamente, no nível de atividade física praticado e qualidade de vida (Nied e Franklin, 2004). No entanto, e apesar de a população portuguesa ter conhecimentos relativos aos benefícios da prática de atividade física, Portugal lidera a tabela de países fisicamente menos ativos (Comissão Europeia, 2004).
Assim, e de acordo com as diretivas nacionais e internacionais relativas ao envelhecimento ativo, que realçam a necessidade de pensar o envelhecimento ao longo da vida, é eminente a urgência de uma intervenção promotora da saúde, nomeadamente através da prática de atividade física como uma estratégia efetiva no combate das alterações fisiológicas (Oliveira, 2006; Hewitt, Howie e Feldman, 2010), psicológicas e sociais (Hewitt, Howie e Feldman, 2010; Stella, 2003).

Objetivo
O projeto “Programa Entrar em (Re)Forma” foi desenvolvido tendo em conta essas mesmas orientações e, por conseguinte, teve como propósito o aumento dos níveis de prática de atividade física e promoção da autonomia no seu desempenho, por forma a melhorar a qualidade de vida dos participantes, tendo como plano de fundo a preparação da transição para a fase de reforma.

Alguns resultados:
Aumento de resistência cardiovascular
(média inicial: 10,96 min.; média final: 14,59 min.);
Aumento do nível de conhecimento em saúde
(média inicial: 70,83; média final: 71,96).

Métodos
A escolha da população-alvo recaiu sobre os colaboradores do Instituto Politécnico de Setúbal, com idades entre os 55 e 64 anos, visto ser uma população que tem, maioritariamente, uma ocupação sedentária. Após terem sido submetidos à aplicação de critérios de inclusão previamente estabelecidos, foi aplicado um questionário de caraterização da população. Este programa teve uma duração total de nove semanas, tendo os participantes sido avaliados no início e no final do programa. Os outcomes principais avaliados foram a Qualidade de Vida (QdV), avaliada através do Medical Outcomes Study Short-Form-36 – MOS SF-36; e o Nível de Atividade Física (AF) praticado, avaliado através do International Physical Activity Questionnaire – IPAQ. Atendendo às especificidades desta amostra, para maximizar a sua adesão, foi necessária uma adequação do plano de prática de atividade física. Assim, os planos foram individualizados e traçados para um período de quatro semanas, adequando preferências individuais, tempo disponível e recursos materiais dos participantes. Integraram desde exercício físico estruturado (por exemplo, resistência muscular) até estratégias de aumento da atividade física em atividades da rotina diária (usar escadas em detrimento de elevador). Ainda com o intuito de estimular a realização de atividade física, foi entregue um pedómetro a cada participante, o qual lhes permitiu, objetivamente, contabilizar uma parte da atividade física diária (número de passos). Ao longo das primeiras três semanas do programa foram ainda enviados documentos que visaram o aumento de conhecimentos em saúde (newsletters via email) sem necessidade de sessões educacionais presenciais.

Resultados
A amostra por conveniência foi constituída por 6 participantes, com idades entre os 55 e os 61 anos (58,0 ± 2,2 anos), 83% de participantes do sexo feminino e 17% do sexo masculino. Previamente ao início do programa, a grande maioria (83%) dos participantes não praticava atividade física regular. No final do programa, 50% dos participantes realizaram a avaliação final. Destes, nenhum cumpriu o programa de intervenção individualizado na totalidade (66,7% A maior parte das vezes e 33,3% Quase nunca). Ao nível dos dois principais resultados, QdV e Nível de AF, obtiveram--se melhorias ao nível do primeiro, sendo a média inicial de 75,03 pontos e a final de 87,10 (score: 0 a 100 pontos), podendo esta diferença atribuir-se à aplicação do programa (p=0,03, IC=95%). Relativamente ao Nível de AF, podemos constatar um aumento da mesma [média METs (Methabolic Equivalent of Tasks) iniciais: 1368,50 e média METs finais: 2066,47, p=0,052, IC=95%]. Há ainda a destacar os resultados da avaliação da resistência cardiovascular, os quais melhoraram 24,9% (média inicial: 10,96 min.; média final: 14,59 min.), sendo estes estatisticamente significativos, ou seja, resultados diretos da intervenção (p=0,012, IC=95%). O nível de conhecimentos em saúde aumentou também, obtendo-se melhorias no mesmo (média inicial: 70,83; média final: 71,96; p=0,468, IC=95%).

Conclusões
Os resultados obtidos nos principais outcomes (QdV e Nível de AF) são encorajadores e sugerem que o programa vai ao encontro dos objetivos previamente estabelecidos, não obstante o curto período de intervenção e o não cumprimento total do mesmo. As razões referidas para o seu cumprimento relacionam-se com os benefícios da prática de atividade física, apesar de a falta de tempo e os imprevistos na rotina serem os principais motivos para o não cumprimento na totalidade. Em relação aos participantes que não concluíram o programa, julga-se que as razões estarão ligadas a falta de tempo e motivação, tendo em conta dados recolhidos inicialmente. Fundamentalmente, este programa pretende ser o ponto de partida para o desenvolvimento de projetos semelhantes, com objetivos mais ambiciosos e estratégias cada vez mais adequadas à população endereçada.

Referências Bibligráficas
Comissão Europeia (2004). The citizens of the European Union and Sport. Special Eurobarometer, 213. European Comission.
Comissão Europeia (2008). Population and social conditions. Eurostat – Statistics in focus. Luxembourg: European Communities.
Fonseca, A. M. (2004). Condição psicológica de idosos rurais numa aldeia do interior de Portugal: Um estudo de caso. Porto: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Universidade do Porto.
Hewitt, A.; Howie, L.; Feldman, S. (2010). Retirement: What will you do? A narrative inquiry of occupation-based planning for retirement: Implications for practice. Australian Occupational Therapy Journal. 57, 8–16.
Instituto Nacional de Estatística (2002). O Envelhecimento em Portugal: Situação demográfica e socioeconómica recente das pessoas idosas. Departamento de Estatística Censitárias e da População. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, I.P.
Instituto Nacional de Estatística (2007). Dia Internacional do Idoso. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, I.P.
Nied, R; Franklin, B. (2002). Promoting and Prescribing Exercise for the Elderly, Journal of the American family physician, 65, 419-28.
Oliveira, C. (2006). Envelhecimento, Aptidão Física e Qualidade de vida no Idoso do concelho de Santa Maria da Feira. Faculdade de Desporto. Universidade do Porto.
Paúl, C.; Fonseca, A. (2004). Saúde Percebida e “Passagem à Reforma. Psicologia, Saúde & Doenças, 5 (1), 17-29.
Stella, F. (2003). Depressão no Idoso: Diagnóstico, Tratamento e Benefícios da Atividade Física. Motriz, 8 (3), 91-98.

Segurança Comportamental

A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

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