SEGUNDO ESTUDO DE DUPONT SUSTAINABLE SOLUTIONS, EM PORTUGAL, A SEGURANÇA NO LOCAL DE TRABALHO É RELEGADA PARA SEGUNDO PLANO PELAS PRESSÕES DO NEGÓCIO

30 abril 2017
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Author :   Caroline Pajot
Citar ARTIGO: Pajot, C. 2011. Segundo estudo de DuPont Sustainable Solutions, em Portugal, a segurança no local de trabalho é relegada para segundo plano pelas pressões do negócio. Revista Segurança Comportamental, 4, 32-33 Caroline Pajot | DuPont Sustainable Solutions - Suíça

Existe um “colapso” conceptual devido a uma falta de empenho generalizado a nível de liderança. Embora 64% das empresas portuguesas consideram a segurança uma das suas principais prioridades, há falhas na implementação, que se traduzem numa aversão à responsabilização, numa ausência de estruturas claras e numa avaliação insuficiente do desempenho em matéria de segurança.

Todos os anos morrem mais de cinco mil pessoas na União Europeia em consequência de acidentes de trabalho (Eurostat, só existem estatísticas disponíveis até 2007). Embora o número de fatalidades esteja a diminuir e muitas empresas afirmem colocar a segurança em primeiro lugar, a segurança no local de trabalho, no seu todo, parece estar a estagnar.
Para investigar as causas desta aparente estagnação, a DuPont Sustainable Solutions encomendou um estudo entre dirigentes e gestores séniores de 300 empresas líderes de mercado em Portugal, França, Alemanha, Itália, Polónia e Espanha. As empresas participantes tinham pelo menos 2500 colaboradores, nos sectores do fabrico industrial, petróleo e gás, construção, automóvel, energia e serviços públicos, alimentação, transporte, aço ou logística. O estudo, conduzido através de entrevistas telefónicas de uma hora, concentrava-se na liderança em termos de segurança, estrutura organizacional, processos e acções, avaliação de resultados e formação em matéria de segurança.
Os resultados sugerem que existe um “colapso” conceptual devido a uma falta de empenho generalizado a nível de liderança. Embora a importância da segurança seja bem compreendida - 64% das empresas portuguesas consideram a segurança uma das suas principais prioridades - há falhas na implementação, que se traduzem numa aversão à responsabilização em questões de segurança, numa ausência de estruturas claras e, ainda mais importante, numa avaliação insuficiente do desempenho em matéria de segurança.

«(...) apenas 50% das empresas portuguesas medem os indicadores chave de desempenho em matéria de segurança (KPI). Esta foi a percentagem mais baixa de todos os países, o que levanta a questão: qual a monitorização efectivamente realizada em Portugal? (...)»

Responsável sim, Responsabilizado não!
Surpreendentemente, a maioria dos respondentes aceita a responsabilidade pela segurança, mas existe uma clara aversão à responsabilização - ninguém quer ser responsabilizado por um fraco desempenho em matéria de segurança. Embora a maioria dos respondentes portugueses veja a segurança como um esforço colectivo, 40% acredita que apenas o seu departamento de saúde e segurança é responsabilizável pela segurança. Isto indica que a estrutura da gestão de segurança não é tão clara como os respondentes podem sugerir.

DADOS, em Portugal:
- 40% acredita que apenas o seu departamento de saúde e segurança é responsabilizável pela segurança;
- apenas 24% dos participantes reportaram mais de 15 horas de formação em matéria de segurança por ano, enquanto essa frequência foi reportada por 52% dos participantes em Espanha;
- 86% dos participantes portugueses tenham dito que os seus líderes comunicam e demonstram o seu empenho na segurança, apenas 48% têm reuniões ou debates acerca de segurança mais do que uma vez por mês.

Menos Palavras, Mais Acção
Apesar do forte empenho verbal, é frequente os dirigentes das empresas não traduzirem esse empenho em acção. Este desfasamento está provavelmente relacionado com crenças específicas relacionadas com a segurança, uma das quais é a de que todas as lesões podem ser evitadas. Em Portugal e Espanha esta crença era generalizada (82% e 98%, respectivamente), enquanto o oposto era verdade na Alemanha e na Polónia. Isto pode ser atribuído à prevalência de uma indústria com grande intensidade de mão-de-obra em Portugal e Espanha, em comparação com a prevalência da indústria transformadora na Alemanha e Polónia. Embora 86% dos participantes portugueses tenham dito que os seus líderes comunicam e demonstram o seu empenho na segurança, apenas 48% têm reuniões ou debates acerca de segurança mais do que uma vez por mês. A formação também foi dada como insuficiente em Portugal, pois apenas 24% dos participantes reportaram mais de 15 horas de formação em matéria de segurança por ano, enquanto essa frequência foi reportada por 52% dos participantes em Espanha.

Sucesso sem Monitorização?
A divergência entre palavras e acções foi demonstrada também por uma divergência entre a definição de objectivos de desempenho em matéria de segurança e a avaliação desse desempenho. Os portugueses contaram-se entre os mais prontos a definir objectivos específicos (96%) e a investigar todos os incidentes e quase-acidentes (60%) - uma forma pró-activa de investigação. No entanto, apenas 50% das empresas portuguesas medem os indicadores chave de desempenho em matéria de segurança (KPI). Esta foi a percentagem mais baixa de todos os países, o que levanta a questão: qual a monitorização efectivamente realizada em Portugal? De facto, sem monitorização, é impossível averiguar a eficácia de um sistema de gestão em matéria de segurança, avaliar riscos, responsabilizar os colaboradores ou definir um plano de melhoria.
Fundamentalmente, a segurança é uma grande preocupação entre as empresas em Portugal, tal como no resto da Europa. No entanto, a ausência de uma abordagem coordenada, intransigente, à segurança significa que as lesões e fatalidades continuarão provavelmente a atormentar as empresas, a menos que sejam tomadas medidas para melhorar a cultura da segurança.

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Segurança Comportamental

A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

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