A INTERNET E A CRIANÇA!

30 abril 2017
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Author :   Paulo Zenida
Citar ARTIGO: Zenida, P. 2011. A Internet e a Criança!. Revista Segurança Comportamental, 3, 19-20 Paulo Zenida | Mestre em Engenharia Informática e de Telecomunicações. Linkare TI - Tecnologias de Informação, Lda

Nas crianças, a internet embora desempenhe um papel de relevo no desenvolvimento de capacidades cognitivas, pode trazer problemas quando o uso é excessivo e sem supervisão.

Desde há alguns anos a esta parte, os computadores e a internet têm vindo a ganhar uma preponderância cada vez maior no nosso quotidiano. Hoje em dia, podemos quase considerá-los bens essenciais.
A sua utilização, doméstica e profissional, tornou-se uma realidade comum. Ferramentas como o correio electrónico e, mais recentemente, as redes sociais, são provas da nossa crescente dependência das mesmas. Paralelamente, temos vindo a assistir à globalização da utilização da Internet nos smart phones e nas mais recentes consolas de jogos, que permitem um acesso mais fácil e ubíquo à internet. Quando bem usada, a internet é uma ferramenta muito importante. No entanto, existem várias ameaças ao nível da nossa segurança e bem-estar, que serão salientadas neste artigo, bem como alguns dos cuidados que podemos ter para as evitar. Este artigo centrar-se-á nas crianças e adolescentes enquanto utilizadores da web, e os cuidados que os seus educadores deverão ter.
A utilização dos computadores e da internet pode desempenhar um papel de relevo no desenvolvimento das capacidades cognitivas das crianças (Fonte, 2008). No entanto, nem todos os conteúdos que lá se encontram são os mais apropriados para os mais pequenos, nem o uso desmesurado e sem qualquer tipo de supervisão. A sua utilização excessiva pode causar dependência na criança e trazer problemas como o seu isolamento relativamente à família e amigos, mau desempenho escolar ou ainda a visualização de conteúdos inapropriados, como pornografia ou violência explícita (Ferreira, Lovato, Corrêa & Pombeiro, 2004), cujo acesso pode ser efectuado inclusivamente de forma acidental, através de uma simples navegação num motor de busca, de um e-mail, ou num chat room. E-mails do tipo “Veja as minhas fotos em…”, de endereços desconhecidos, ou mesmo de contactos pessoais (nestes casos, é uma boa ideia perguntar à pessoa se nos enviou aquela mensagem), ou mensagens do tipo como “somos da administração da empresa X. Por favor, envie-nos os seus dados de acesso…” são mensagens, infelizmente, muito comuns e para as quais devemos estar atentos à sua credibilidade. No primeiro caso, existe uma grande probabilidade de a mensagem conter um vírus informático que poderá destruir os dados existentes nos nossos computadores ou, pior, tal como no caso do segundo tipo de mensagem, ser um mecanismo para descobrir acessos privados a sites de home banking e outros de natureza sigilosa.
Chats com estranhos, de teor sexual, e trocas de fotos, ou mesmo videoconferências, são outros tipos de perigos a que os vossos educandos estão sujeitos. Quem está do outro lado do chat com as vossas crianças pode não ser quem diz ser, não ter a idade que diz ter e pode apenas querer aproveitar-se dos vossos filhos, naquele preciso momento ou, pior, poderá conseguir informações que lhe permitam procurar e encontrar pessoalmente os vossos filhos, seja na escola ou até nas próprias casas.
Este tipo de casos, muito comuns, pode ser considerado crime e devem ser comunicados às autoridades. Podem inclusivamente fazê-lo através da Internet, no sistema de queixa electrónica, disponível em http://queixaselectronicas.mai.gov.pt.
Existem alguns programas informáticos que permitem filtrar aquilo a que se pode ou não aceder na Internet, como por exemplo, o Norton Internet Security, o Cyberpatrol ou o Net Nanny, mas, apesar de ajudarem a controlar aquilo que o seu utilizador pode ver na internet, estas ferramentas não educam as vossas crianças! Como se costuma dizer, “o fruto proibido é sempre o mais apetecido”. Seguindo esta linha de raciocínio, sugere-se que não façam desse tipo de conteúdos o “fruto proibido”. Pelo contrário, conversem com os vossos filhos, educando-os e preparando-os para lidar com estas situações.

«(...) utilização excessiva pode causar dependência na criança e trazer problemas como o seu isolamento e mau desempenho escolar (...).»

O acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento das crianças, informando-os quanto aos possíveis riscos da utilização do computador, dos telemóveis e da internet é, provavelmente, o meio mais importante e eficaz de manterem as vossas crianças em segurança. Uma relação aberta e de confiança com os vossos filhos permitirá um maior à vontade entre ambos, para que possam saber mais acerca das suas actividades na web e para que possam, desse modo, aperceber-se do tipo de ameaças a que poderão estar sujeitos, agindo em conformidade.
Deixo aqui algumas regras simples que poderão transmitir aos vossos filhos, como por exemplo:
- Não dar quaisquer informações pessoais a estranhos (nome, morada, idade, escola, telefone, …);
- Escolher nicknames que não os identifiquem. Evitem nomes como joao15 ou raparigaLx10;
- Não partilhem nem a password nem o username com ninguém, exceptuando os pais;
- Não responder a mensagens indesejadas, ofensivas ou ameaçadoras;
- Não enviar fotos suas a estranhos;
- Nunca concordar em se encontrar com alguém que conheceu na internet, pelo menos, sem conhecimento dos pais.
Evitem colocar computadores/consolas de jogos, nomeadamente com acesso à internet, nos quartos das crianças. Optem por espaços comuns, como a sala de estar, pois, desse modo, será mais fácil monitorizarem os sites e os conteúdos a que as vossas crianças acedem.
Apresentam-se, de seguida, alguns dos sinais de alerta mais comuns de que as vossas crianças podem estar em actividades menos apropriadas na Internet:
- Utilização a horas tardias;
- Uso excessivo;
- Fechar aplicações e sites quando um adulto se aproxima;
- Download de ficheiros com extensão .jpg, .gif, .bmp, .tif, .pcx (ficheiros de imagens);
- Telefonemas ou mensagens de estranhos.

Bibliografia
Fonte, L.. A Influência das novas formas de comunicação no desenvolvimento sócio-emocional das crianças, 2008, Disponível em: http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0405.pdf
Ferreira, E., Lovato, E., Corrêa, M., & Pombeiro, O., Malefícios da Internet sobre as Crianças, 2004, Disponível em: web.spei.br:8081/wokshop/Art-06.doc
http://www.safekids.com/
http://www.getnetwise.org/
http://pt.norton.com/internet-security
http://www.cyberpatrol.com/
http://www.netnanny.com/

Segurança Comportamental

A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

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