AS CRIANÇAS E AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO

01 maio 2017
(0 votos)
Author :   Júlio Santos
Citar ARTIGO: Santos, J. 2010. As crianças e as tecnologias da informação e da comunicação. Revista Segurança Comportamental, 2, 17-18 Júlio Santos | Especialista e técnico de segurança

A exposição, das crianças e adolescentes, aos perigos decorrentes das novas tecnologias da informação e da comunicação, pode influenciar nefastamente a sua segurança e saúde.

As Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) são hoje uma realidade nas nossas vidas e consequentemente na das nossas crianças e jovens, inclusivamente fazem parte dos seus currículos escolares. Desde muito cedo as nossas crianças e jovens têm acesso a uma grande diversidade de TIC: televisão, computadores com acesso à internet, consolas de jogos, leitores de música e telemóveis. Apesar da sua utilidade, todos estes equipamentos têm alguns riscos indirectos e directos com efeitos nas crianças e jovens. Os riscos indirectos, entre outros, poderemos mencionar a privação do contacto com o ar livre necessário à absorção de anticorpos para combate a algumas doenças na sua maioria de foro respiratório. Não obstante da importância dos riscos indirectos, é sobre os riscos directos que nos iremos debruçar. Observemos, caso a caso, alguns dos equipamentos mais utilizados pelas nossas crianças e jovens, assim como, alguns dos factores de insegurança que lhe estão associados.
Do grupo de equipamentos que apresentámos no início do texto - a televisão - é dos primeiros sistemas a que garantidamente as crianças têm acesso desde muito cedo, esta serve-lhes como instrumento de entretenimento. Em todos os serviços de televisão, distribuídos em todo o país, estão disponíveis canais cujos conteúdos são especificamente dedicados às nossas crianças, desde a sua tenra idade.

“O tempo de exposição a esta violência, por parte das crianças, é mais o que suficiente para que esta temática seja assimilada, já que estes passam uma grande parte do tempo ao longo do seu dia em frente à televisão.”

Os estudos sobre a influência da violência transmitida na televisão e os seus efeitos nos comportamentos das crianças, em Portugal, encontram-se dispersos e são pouco divulgados.
Recordamos o tempo em que nos desenhos animados predominava o carácter humorístico, em que se assistia a demonstrações de afecto, algumas até em excesso. Nos tempos que correm, esses conteúdos foram substituídos por imagens de violentos combates e expressões faciais de raiva. O tempo de exposição a esta violência, por parte das crianças, é mais o que suficiente para que esta temática seja assimilada, já que estes passam uma grande parte do tempo ao longo do seu dia em frente à televisão.
Na mesma linha de violência, somos confrontados pela maioria dos jogos de vídeo. As preferências das crianças vão de encontro aos jogos de combate, desprezando os jogos de estratégia ou de pura distracção. Na maioria dos casos o utilizador é o representante do Bem que, após apurado treino, vence o Mal, mas nem sempre é assim. Embora existam condicionalismos e/ou proibições quanto à idade com que certos jogos devam de ser jogados, o facto é que, pelo fraco acompanhamento dos pais e elevados montantes envolvidos neste sistema comercial, a segurança das crianças passa também, nestes casos, a ser um factor secundário.
É comum uma jovem criança saber utilizar melhor o computador do que o seu avô. Este fenómeno encontra-se associado à rapidez da evolução das TIC, em muito, superior à da evolução do Homem. Os computadores, além de possuírem a utilidade lúdica, são parceiros de estudo e de aquisição de conhecimentos por parte dos nossos «infantes». Porém, este poderoso (e muito útil) meio, quando ligado à internet – e só assim lhe é atribuído valor – assume demasiados perigos, de entre os quais destacamos: a possibilidade de acesso a páginas inadequadas à idade, ou, aproveitamento, por criminosos, da inocência das crianças. A proliferação de redes sociais veio potenciar os riscos já conhecidos e atribuídos à internet. Existe um novo fenómeno que está a deslumbrar os nossos jovens adolescentes - o jogo online (ex: poker) – assumindo para este efeito a necessidade de trocas monetárias reais. Existem outros mais inofensivos, como o farmville, que apesar de não implicar trocas monetárias, permite comprar acessórios para se ter uma “quinta” em estado invejável.

“A sua utilização [phones] na via pública aumenta consideravelmente os riscos, visto que, poderá inviabilizar a audição de um perigo, como por exemplo, a percepção do ambiente sonoro da aproximação de um veículo ou do aviso de queda de um objecto.”

Presentemente, discute-se se as radiações dos telemóveis poderão, ou não, prejudicar os utilizadores. No seio destas discussões, alguns especialistas vão alertando para o facto da estrutura óssea de uma criança ser menos densa e por este facto os efeitos do risco de radiações, neste grupo, poder ser mais grave para a sua saúde. Daí, estarem a decorrer medições de radiações na envolvente das escolas, tendo os primeiros registos ficado muito aquém dos valores reconhecidos como prejudiciais. Todavia, não nos podemos esquecer que também aqui o poder económico do sector das telecomunicações pode influenciar o investimento em investigação nesta área.
Outra realidade actual é a música portátil. Os phones são hoje companhia inseparável das crianças e adolescentes. Em muitos casos, para além da violência verbal utilizada nas canções é também o próprio volume de som que agride o sistema auditivo, quando presente um elevado nível de exposição. A sua utilização na via pública aumenta consideravelmente os riscos, visto que, poderá inviabilizar a audição de um perigo, como por exemplo, a percepção do ambiente sonoro da aproximação de um veículo ou do aviso de queda de um objecto. A evolução, nesta matéria, é tão rápida que nem sempre os pais – na maior parte das vezes ocupados com as suas carreiras profissionais – têm disponibilidade de tempo para se actualizarem no que concerne às consequências desses perigos na saúde e segurança dos seus filhos.

“A proliferação de redes sociais veio potenciar os riscos já conhecidos e atribuídos à internet.”

O nosso artigo não objectiva aconselhar quanto a procedimentos a adoptar, mas antes deixar expresso este entendimento que auxilie e alerte os pais e encarregados de educação para determinados perigos e riscos de segurança infantil e juvenil, e que pelas mais variadas razões, ainda não os tenham identificado.
As TIC são o futuro, nelas está sustentada a evolução do mundo, mas também escondem demasiados e novos perigos para as nossas crianças. Como progenitor, procure estar atento, comece por visitar os sítios on-line aqui expressos, informando-se e actualizando-se!

Sítios a visitar:
http://www.apsi.org.pt/
http://www.pj.pt/htm/noticias/alerta_internet.htm
www.juliosantos.net/forum
http://www.miudossegurosna.net/
http://www.minerva.uevora.pt/internet-segura/

Segurança Comportamental

A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

Social Share

Pagamentos

# # # #


 

Top
We use cookies to improve our website. By continuing to use this website, you are giving consent to cookies being used. More details…